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Dissipação

Poema de Rafael Melo


A noite se dissipava no deserto de meu coração.

E com a atenção escancarada de um beijo sob o luar,

Tornei-me guardião secreto das minhas memórias.

Sólidas estão; sórdidos estão; incomparável amar.

Ela me aparece feito uma melodia,

Alimentando algo que não conheço.

A morte é sempre um Ontem.

Sinto-me congelar, como me entristeço.

Daquela noite guardei apenas segredos.

Senti medo por não poder vê-la novamente,

E num gesto desesperado, enterrei constantemente,

Meus sentimentos ao luar em que me excedo.

Daria até mesmo o que eu não tenho neste momento,

E sobre meu discernimento eloquente do amor,

Transfigura-me a sensação de não possuir o calor,

Que tanto desejaria neste acalento.

Voltaria a vida por você; por vários instantes de prazer,

Onde nenhum sentimento seria traído.

E por mais inexistente que eu esteja em conceber,

Guardo uma única certeza, que me foi entregue ao te conhecer.

Aos olhos da escuridão continuo; contudo,

Contemplo sua luz ao me guiar,

Que de alguma forma se sobrepôs a não delirar,

Todo esse sentimento miserável que não para de tentar.

Por mais esvaecido que seja este momento,

Sinto-me junto com você no indeterminado.

O tempo aqui necessário parece existir,

Embora não estejamos, portanto, no mesmo obstinado.

Sinto tanto em carregar este menosprezo por dentro,

Que não espero de forma alguma, ser reconhecido.

Apenas sei, que até agora, seu trajeto me opôs a desistir,

De um longo período em que eu estive desconhecido.

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