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Melissa

Atualizado: Mar 8


(I)

À noite, quando tuas cartas leio,

É como se ouvisse uma voz divina,

Que me afaga a alma em eviterno anseio,

Findando em meu coração a neblina.

E a solidão, outrora um triste enleio,

Preenche-se de algo que me fascina,

Algo que não sei se é um devaneio,

Mas que à minha escuridão ilumina.

Sim, qual se aqui estivesses, Melissa!

E eu pudesse tocar-te a face bela,

Vendo de perto o olhar de luz mortiça:

Teu olhar distante de Cinderela,

Que cada um dos meus pesares vela,

E tão doce e profundo me enfeitiça!

(II)

Vi-te em sonhos, Melissa, e tu choravas...

Circundava-me uma noite eterna,

Mas de ti emanava uma luzerna

E assim, embora triste, me alumiavas!

Esta luz – teu Amor que suspiravas! –

Ora me encanta e alegra, ora me inferna,

Pois é tão-só um sonho que te eterna

Em minh'alma – onde já quase expiravas! –

Pelas lágrimas tuas compreendi

Que a minha dor era a mesma de ti:

Poder apenas ver-te e jamais tocar-te!...

E ora cismo: o quão atra é a existência

Sob o infindo amargor de tua ausência,

Ao não me consolar nem mesmo a Arte!


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