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Ninguém


Lá vai ele, caminha descalço pelas mazelas do seu próprio ser, espalhando toda a beleza de sua escuridão, a amargura de um ninguém. Faminto de sua própria sujeira, tropeça na torpeza suja de suas unhas já roídas, podres, que mancham o papel com o desejo obscuro de imprimir-lhes a sua feiura, a sua beleza contraditória, o asco de si próprio e de tudo que não é feio.

Olhe mais de perto, aquele arco íris em preto, uma úlcera que sangra noite e dia, escorrendo por sua boca torta e maldita. Coagula o sangue em suas vestes negras, como a crosta formada por séculos de horror e tortura, ferida fétida, um cadáver que perambula, por ruas escuras e cheias de desdém.

Gosta de observar a dor, o rancor por toda uma vida reprimida, cheia dos dogmas e das tolices irreais, cheirando a suor e perfume barato. Lá vai ele, colhendo a poeira que se amontoa em sua pele, que encarquilha sua face já grosseira de um obsoleto absoluto e vulgar que tudo aceita, como uma folha em branco, dizendo sempre amém.

Lá vai ele, senhor dos escravos, dos vivos zumbis, da vontade de guerra, dos altos lucros e de toda a doença, da crença cega, dos joelhos dobrados em submissão eterna. Lá vai ele, escondido em sua mente, a sua doença mental, a sua ignorância, o seu medo. Caminha discreto, ninguém o nota, o seu medo.

#AlessandroDiniz

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