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Blog Soturno

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Sangue de Gladiador

Atualizado: 8 de Mar de 2020


O cheiro inebriante de sangue é um tormento nos momentos finais do duelo. Enquanto os ferros se incendeiam a cada encontro violento e a multidão de plebeus furiosos urra desejando ardentemente mais e mais mortes desde a manhã em que o primeiro torso foi atravessado por um gládio, eu me contorço de fome e desejo.

Aperto meu rosto contra a grade grossa e enferrujada do corredor que leva até a arena, tentando prever o resultado da batalha pelos espaços losangulares. Todos os cadáveres de gladiadores mortos durante o dia já foram recolhidos, e o sangue deles, sugado pela areia, está perdido para mim, mas agora, no ocaso arroxeado, sei que conseguirei capturar minha presa.

Rufina e Porcius, meus escravos imprestáveis, se agarram em minha túnica com suas mãos sebentas e encrostadas de imundície e merda, por medo dos tigres e ursos nas jaulas que margeiam o corredor. Mal sabem eles que sou muito mais perigosa que qualquer dessas feras, que se encolhem com um simples olhar de minha íris amarelada, e que os desmembraria aqui mesmo se não precisasse momentaneamente de seus braços para me servir. Os dois malditos asnos de carga se urinam de medo e o odor de seus dejetos turva meu olfato que estava concentrado no sangue da arena.

Finalmente o gigantesco thræx derruba o dimachærus com um golpe de sua falx que atravessa a barriga de seu oponente, derramando suas tripas ensanguentadas para fora das gorduras e músculos que as prendiam ali.

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