UMA VELA


Castiga-me, destino, faça-o logo.

Leve-a para longe de mim.

Sei, eu sei que só mereço

Ter sofrido penoso fim.


Leve-a para longe de meus olhos,

Não me deixe morrer por tal beleza.

Oh, isso me toma os sonhos...

Negros, estão negros. Fraqueza!


Não me deixe morrer tão perto dela.

O que me acontecerá?

Simplesmente pareço não saber...

Mas posso, eu sei, adivinhar.


Não ousaria eu feri-la, aqui eu sinto,

Nem para salvar minha própria vida.

E estou certo

De que mesmo esta por ela eu daria.


Oh, por ela eu morreria mortes atrozes,

Por ela eu deixaria das minhas poesias as vozes.


Eu viveria às cegas,

Chorando sem cessar na penumbra infinita.

Eu daria a punhal o peito

Se pudesse habitá-la como a mim ela habita.


Ela, o meu anjo terno,

O estranho anjo que não me protege.

Oh céus, cá sob a lua eu enlouqueço!

Pois a mim ela somente fere.


E choro solitário como pequena criança

Que não sabe onde a mãe está.

Sinto a fome, aqui no meu lado;

E está ela a me matar.


Mas não é a boca que a essa fome recrimina,

Não é ela que pede por satisfação.

Sou eu quem pede por conforto.

Sou eu. Eu e esse coração.


Por ela estou em diligente choro,

Ah, eu poderia morrer,

Mesmo que no meu peito haja essa estranha,

Inútil vontade de viver.


Oh, eu quero tanto viver.

Mas eu morrerei, e não, não culpo a ela.

Mas esperarei que sobre o solitário túmulo meu

Venha ela um dia, a minha bela, acender ao menos uma vela.

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