Blog Soturno

Arys Gaiovani - Saudades Eternas

24/07/2017

 

Todo ano, ritualisticamente no mês de agosto, os poetas do Círculo Soturnos – grupo de autores do site SOTURNOS.COM – se reúnem para publicar uma antologia com seus poemas. Começamos essa ideia em 2016, com a publicação do volume 1 de Soturnos, e este ano estamos dando continuidade ao feito com um volume que ficará marcado para sempre em nossa memória.


Vamos erguer nossas taças de vinho, e fazer um brinde ao nosso amigo poeta Arys Gaiovani, falecido no dia 26 de maio deste ano, e enterrado na cidade de Piracicaba, em São Paulo.


Quando ele me enviou seus textos, pediu que se mantivesse a autoria em seu pseudônimo. Por esse motivo, seu nome verdadeiro é mantido em sigilo. Apenas a sua foto permanece em nosso site, como foi o desejo do autor.


Neste segundo volume, seus poemas são de caráter pessoal, e a melancolia que o autor decidiu libertar atinge profundamente o coração de qualquer leitor.


Tudo começou quando sugeri aos autores um tema para o volume deste ano: “Traumas de juventude”. Imediatamente Arys Gaiovani me enviou seus poemas, dando a entender que ele já os tinha muito antes de minha sugestão. Apesar de abandonarmos a ideia, os textos de Gaiovani permanecem, impactando este livro com sua despedida imortal.


Arys Gaiovani foi realmente um poeta, desses que escrevem para o nosso público-leitor de forma a fazer-se entender. Seu tema poético arrancou de seu passado uma triste realidade que, infelizmente, chega a ser banal no dia-a-dia de nossa atual sociedade: pais ausentes. Em sua poesia esse tema é representado por saudades eternas de um amor que uma criança nunca teve dos pais, com doses de mágoa e raiva.


De início, temos a impressão de que seus textos apresentam diversos erros ortográficos e gramaticais. Mas não podemos subestimar a genialidade de um escritor culto como Arys Gaiovani! Ele mesmo me disse para manter esses erros, propositalmente, com letras minúsculas após o ponto final, erros de discordância, versos desorganizados e reticências exageradas. Estas, representando os momentos de choro e lágrimas do poeta.


O resultado disso são escritos embalados pelas frases emocionantes do sentimento. Talvez de um tempo em que ainda era um jovem poeta, vomitando versos de mágoa em seu diário, sem se preocupar com uma revisão, guardando-os na gaveta e esperando o momento certo para libertá-los de sua alma aflita. Este parece ter sido o momento.


Lembro-me que o conheci em 2011, quando tive a oportunidade de ler seus poemas. Na ocasião, eu administrava um site chamado Sombrias Escrituras (hoje Editora Sombrias Escrituras), em que ele participava publicando seus poemas, sempre usando seu habitual pseudônimo. Então perdemos o contato em 2013, e somente em 2015 consegui achá-lo, com muita dificuldade, já que ninguém o conhecia como Arys Gaiovani. Aliás, seus poemas publicados com esse pseudônimo são soturnos, tenebrosos; muito diferente do que ele costumava publicar assinando com seu nome verdadeiro.


Membro de grande valor ao Círculo Soturnos, deixará saudades eternas, e um ensinamento: o quanto é importante para uma criança a sua família.


Seus versos, imortalizados nos dois primeiros volumes desta antologia, recebem nossos aplausos aqui e pela eternidade.


Descanse em paz, meu amigo.
 

 

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