Blog Soturno

Decrépita

22/01/2018

 

A esperar por alguém que nunca chegou.

Seu corpo era frio

Sua alma não lembrava do calor;

Assim ela não percebia

Que não mais vivia;

Morta estava, já não mais dormia

 

Na janela a admirar a riqueza

Sonhava com a realeza e as festas de outrora

Sob dorso enrugado enfeitado de ouro

Não há rastros de beleza alguma

Que antes encantava os que ali passavam

 

Sua face decrépita no espelho

Não tem traço, nem vigor

Relembra juventude da sua madrugada

Eternas fantasias que lhe tiraram o tempo

E hoje o dourado das esmolas a consola

Joias caras de um orgulho podre

Não pagam as marcas de sofrimento

 

Neste mundo de dinheiro e beleza

Seu sorriso não existe, sua alma pura se perdeu

É uma caricatura do que já foi um dia

Nada resta além de amargura e tristeza

Rejeita a alma pura com que nasceu

Ao morrer não sobrará de você nem lembranças

Nada criou, nada fez

Passou em vão

 

Seus braços velhos são laços de desespero

De um alento que nunca cantou

Chegada a hora entrega a sua alma

Não vale nada

Aceite seu fim

Engole a lágrima e aceite sua derrota

Não se apavore que o pesadelo terá fim

 

 

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