Blog Soturno

Depois da noite amaldiçoada

05/06/2018

 

Os últimos raios de um sol frio, quase aniquilado,
Vieram ao alpendre me encontrar ainda duvidoso.
Não havia o som do vento, sequer um ser alado,
Tudo que existia estava preso no véu misterioso.

 

Envolto em névoas densas, o mundo sucumbia,
Nem mesmo uma lembrança da vida anterior.
No total silêncio daquela noite nada se permitia,
Atônito, o luar capitulou, ora rendido ao amargor.

 

Não puderam ser rendidas últimas homenagens,
Antes que se consumassem momentos fatídicos,
Nada mais estaria vivo em dantes claras paragens.

 

No esplendor da destruição, a morte anunciada
Selou em glória os infaustos episódios verídicos;
Não houve amanhã depois da noite amaldiçoada.


 

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