Blog Soturno

Desfecho miserável

08/08/2019

  

Pelo buraco do umbigo
Vejo a passos lentos tuas vísceras
emaranhadas apodrecendo
Teus anticorpos já cansados
vão morrendo.


Até onde esta máquina levar-te-á?
Sentes teus parafusos afrouxando
E as engrenagens rugindo
Como se estivessem emperrando?


Eis o acumular de bactérias
Onde o regozijo é no desfecho
Miserável da matéria.
Vírus enferrujam o esqueleto
Vermes enlouquecem no banquete
Devorando o defunto putrefato
e obsoleto.


Não há reflexo no espelho
Foi-te a vida um vaidoso desespero
Foi-se a vaidade no enterro


Ouça o tilintar das pás
Sentes o peso da terra sobre o peito
Em um arfar obscuro a te tocar
E o clarão da vida se fechar


Não há mais jeito
O ataúde é teu suporte
Findaram-se a dor da carne e os cortes
Resta apenas aceitar...


Eis o teu primeiro dia na morte.

 

 

 

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