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“Jane Eyre”, de Charlotte Bronte

30/10/2019

 

"Jane Eyre", escrito e publicado em 1847 por Charlotte Brontë (1816 - 1855), é um romance que conta a história de Jane, órfã de pai e mãe, que vive infeliz em meio a parentes que a odeiam. Aos 11 anos, Jane é enviada para um colégio interno, onde conhece a amizade, a afeição e os seus primeiros momentos de júbilo, apesar do sofrimento que lá passa. Aos 16, torna-se professora lá, e aos 18, sai do colégio para trabalhar como tutora da jovem Adele, menina órfã de mãe, e protegida de Mr. Rochester, homem rico, misterioso e sombrio, perfeito arquétipo do herói byroniano. Jane, em pouco tempo, apaixona-se por seu patrão, e ele por ela, pedindo-a em casamento. No entanto, a vida em casa não é muito calma, pois comumente ouvem-se gritos, vozes estranhas e lamentos vindos de uma ala afastada da casa, e os criados aparentam conhecer algum tenebroso segredo. A partir daí, surgirão muitas surpresas, lágrimas e tragédias... mas também alegrias inesperadas.

 

Com várias citações de Shakespeare e da Bíblia, e influência nítida de Lord Byron, Charlotte Brontë escreveu um belíssimo romance romântico que não é "uma simples história de amor clichê", e sim uma história profunda, reflexiva e comovente, e com ideias feministas, ao retratar a emancipação da mulher, em oposição aos romances de Jane Austen (1775-1817), que de acordo com Charlotte Brontë, as mulheres eram um mero adorno social, obrigadas a se casar, para garantir a sua sobrevivência, embora hoje em dia há a interpretação contrária por parte de diversos estudiosos e leitores de Jane Austen.

 

 

 

O livro é uma análise dos sentimentos humanos, feita através do olhar observador da protagonista Jane Eyre, uma mulher do século XIX, em relação às outras pessoas da trama, ao mundo por ela conhecido e a ela mesma; tudo por meio de pensamentos, diálogos e descrições, ora românticas, ora sarcásticas, porém sempre inteligentes e interessantes de se ler. As personalidades foram criadas com tamanha maestria, que as personagens parecem vivas e são capazes, não raramente, de causar ao leitor diversas reações: simpatia, repugnância, desprezo, encanto, amor, ódio, saudade, etc; e quando lemos é como se fizéssemos parte da história e sentíssemos a angústia de Jane e das outras personagens.

 

E, apesar de o livro ser relativamente extenso, em momento algum torna-se prolixo ou enfadonho; muito pelo contrário, prende a atenção do leitor do início ao fim, com um certo suspense e uma escrita magistral e única, misturando características da literatura gótica e do romance sentimental.

 

"Jane Eyre" é uma obra-prima que ficou eternizada não sem motivo, e que, embora tenha sido escrita há mais de 150 anos, ainda surpreende pela imensa originalidade e beleza; é um daqueles livros que provavelmente se você ler, jamais se esquecerá, principalmente se for mulher. Inclusive, já foram feitas mais de dez adaptações cinematográficas, sendo a mais recente “Jane Eyre” (2011/EUA) de Cary Fukunaga, indicado ao Oscar de melhor figurino e com Mia Wasikowska como protagonista. Curiosamente, o romance alcançou tanto êxito logo que foi publicado, esgotando-se rapidamente, que foram feitas no mesmo ano, mais três reimpressões. E para quem não sabe, a autora Charlotte Brontë era a irmã mais velha das também escritoras Emily Brontë (1818-1848, autora de "O morro dos ventos uivantes") e Anne Brontë (1820-1849, autora de "A Inquilina de Wildfell Hall" e "Agnes Grey"). Charlotte lançou outras obras embora de bem menor importância e conhecimento do público: "The Green Dwarf, A Tale of the Perfect Tense” (1833), "Shirley" (1849), "Villete" (1853), "O Professor" (1857) e o inacabado "Emma" (1860).

 

 

 

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