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Necrófila Tocata

12/04/2019

Narração: Sr. Arcano.

 O violoncelo fatigante

O contrabaixo trucidante

A harpa repugnante

 

A profana melodia

Sonoriza a necrodulia

É uma tríade abominável

O conjunto deplorável

 

O violoncelo lacrimejante

O contrabaixo lamuriante

A harpa meluriante

 

Miríade de notas infernais

Composição de acordes espectrais

A tríade decrépita prossegue o recital

E estruge entre as lápides o som bestial

 

O violoncelo praguejante

O contrabaixo caluniante

A harpa vociferante

 

Tocam os ritmos perversos e horrorosos

Em seus instrumentos disformes e asquerosos

As almas desencarnadas em alvoroço

Debatem-se no interior do calabouço

 

O violoncelo desanimante

O contrabaixo agonizante

A harpa inquietante

 

O mortório eterno vão acompanhando

o odor fétido dos restos mortais entranhando

Como folhas esvoaçam as partituras

Perdendo-se ao vento entre as sepulturas

 

O violoncelo martirizante

O contrabaixo supliciante

A harpa torturante

 

O féretro maldito no cemitério irrompe

E no trajeto imundo as almas corrompe

Enquanto os funestos músicos solfejam

E na cadência vibrante arpejam

 

O violoncelo molestante

O contrabaixo afrontante

A harpa castigante

 

A morte inclemente conduz os falecidos

Que sob a sua necrofágica foice são trazidos

Arrastando seus corpos apodrecidos

Que pelos vivos já foram esquecidos

 

O violoncelo desgastante

O contrabaixo desgraçante

A harpa degradante

 

A sonoridade perversa e tristonha

Reverbera entre a lápides, medonha

O ritmo hediondo lacera as entranhas

De todas as criaturas estranhas

 

O violoncelo consternante

O contrabaixo angustiante

A harpa queixante

 

Seres que a necrópole habitam

E em sua perniciosidade transitam

A música torpe, extenuante

Embala o repouso final e reconfortante

 

O violoncelo mortificante

O contrabaixo flagelante

A harpa lacerante

 

As entidades se contorcem no ossuário

Envoltas pelo nevoeiro mortuário

Embriagadas pela música letal

Tocada pela tríade imortal

 

O violoncelo nauseante

O contrabaixo ofegante

A harpa agoniante

 

Enquanto os funestos músicos solfejam

E na cadência vibrante arpejam

A noite cansada vai terminando

E a hedionda tríade, silenciando...

 

...O violoncelo balbuciante...

...O contrabaixo rumorejante...

...A harpa murmurejante...

Poema do livro: Há um DEMÔNIO atrás da porta

Disponível em nossa loja para todo o Brasil.

 

 

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