Blog Soturno

Autora esquizofrênica acha a cura na poesia

03/10/2019

Muito se fala em tratamentos para a esquizofrenia, com organizações tratando pacientes da doença através de oficinas de Arte, Escrita, Filosofia, Música, Teatro, Dança, entre outros...

 

A superação da doença é muito difícil, e, por esse motivo, essas oficinas procuram transformar o sofrimento em aprendizado.

 

Existe uma grande esperança transmitida pelos pacientes, em que podemos perceber que é possível enfrentar a doença, e, acima de tudo, encontrar caminhos de reconstrução do sentido da vida.

 

A esquizofrenia é um transtorno mental que acontece devido a alterações no funcionamento do cérebro. Estas alterações levam a pessoa a entender e experimentar a realidade de uma forma diferenciada, o que causa dificuldades nas relações com o seu mundo interior e com as outras pessoas.

 

A doença afeta cerca de 0,7% da população e aparece normalmente no período entre o final da adolescência e começo da vida adulta.

 

Os principais sintomas são:

A pessoa passa a acreditar que a realidade se apresenta de uma maneira diferente, suas ideias e pensamentos apresentam conteúdos que para ela são verdade, mas que não estão realmente acontecendo;
A pessoa passa a ter percepções sem que haja um estímulo externo;
A pessoa pode acreditar que pensamentos estranhos foram colocados em sua cabeça;
Há uma dificuldade em expressar os sentimentos e emoções, passando a impressão de que perdeu estas capacidades. Na realidade a pessoa continua tendo seus sentimentos e emoções e fica angustiada por não conseguir demonstrá-las. É como se as pessoas estivessem alheias ao que se passa à sua volta e a vida fosse um filme monótono em preto e branco.

 

A esquizofrenia é um transtorno mental crônico, isto é, precisa de tratamento por tempo indeterminado. Geralmente as crises ocorrem porque a pessoa abandona os tratamentos ou por uma maior vulnerabilidade aos estresses da vida. Por isso seguir os tratamentos é fundamental.

 

O tratamento psiquiátrico se baseia na relação de confiança entre a pessoa com esquizofrenia, a família e o médico. O principal objetivo é tratar a crise quando acontece e prevenir as recaídas, de forma que a pessoa tenha condições internas de redesenhar seu caminho na vida. O tratamento se baseia no uso de medicamentos que são denominados de antipsicóticos. Não existe um antipsicótico que seja melhor que os outros, cada pessoa se adapta melhor com o uso de um deles. 

 

A superação (recovery) é uma jornada pessoal que cada pessoa com esquizofrenia pode trilhar para uma vida com qualidade. Este processo vem sendo compartilhado por pessoas com transtorno mental desde a década de 80, a partir do relato das suas experiências pessoais. Baseia-se em: encontrar e manter a esperança; reestabelecimento da identidade; encontrar sentido na vida e; tornar-se responsável pelo seu processo de superação.
 

 

E no Rio de Janeiro temos o caso da escritora Rumanesk, que vem superando sua doença com a poesia. Mas não uma poesia comum. A poetiza escreve versos de terror, horror e mistério, ambientados em temas apocalípticos e tenebrosos.

 

Como uma autêntica autora de terror, sua criatividade não tem limites, já que busca inspiração em suas visões de uma outra dimensão: a do mundo dos mortos e suas entidades sobrenaturais. Seus versos são falas de seres das trevas, que nos trazem mensagens obscuras do inconsciente.

 

Profundamente religiosa, Rumanesk fala do sombrio, sempre em busca do caminho divino. Sua força está no bem que se encontra no abismo mais profundo das trevas; tal qual sua experiência com a dor, ela transmite a salvação que se esconde na aprendizagem que temos através das torturas da alma.

 

Se para uma pessoa com esquizofrenia não é fácil lidar com sua doença, para Rumanesk tem sido ainda mais difícil. No passado, seu marido separa-se dela, deixando-a sozinha com seu bebê de apenas alguns meses. Então foi mãe solteira, até perder este seu único filho em um trágico acidente, quando ele tinha apenas vinte anos – fato que a autora prefere não comentar ou relembrar por razões óbvias. E, para aumentar ainda mais seu sofrimento, ela ficou responsável por cuidar de seus pais doentes.

 

E se existe uma cura para Rumanesk, esta é a poesia. Escrever terror pode não parecer o melhor remédio, mas, para esta autora dos versos apocalípticos, cada verso sombrio que escreve é uma gota de sangue — que ela bebe para sobreviver em um mundo seco e sem vida, entre quadro paredes de uma solidão que só é apaziguada com a escrita e seus leitores.

 

Ela não sai de seu apartamento, e encontrar-se com a autora é praticamente impossível. Suas conversas são sempre virtuais, através de redes sociais e mensagens. Seu próprio editor já tentou, em vão, um encontro com ela, na esperança de obter um autógrafo. Rumanesk não sai muito de seu lar, e não é pessoa de encontros. Para muitas das tarefas que se fazem na rua ela tem a ajuda de familiares. E assim, solitária, ela encontra a paz para escrever. Longe do caos da cidade, e ao mesmo tempo no centro da capital carioca – uma das mais violentas em termos de assaltos, tráfico e tiroteios.

 

Este é um caso de esquizofrenia singular; o de uma pessoa que se trata escrevendo poemas de terror. Ao ler seus versos nós fugimos da realidade angustiante do pós-modernismo para um reino atraente de fantasia sombria, e assim podemos dizer que a autora está curada, e que a verdadeira doença reside no mundo que nos cerca.

 

A autora publicou seu primeiro livro “A Valsa das Almas”, em 2018. E este ano está lançando seu segundo livro: “Cartas de Nosferatu”. Mais sobre a autora em: soturnos.com/rumanesk 

 

 


 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Postagens Relacionadas:
Please reload

  • WhatsApp Soturnos
  • Twitter Soturnos
  • Youtube Soturnos
  • Instagram Soturnos
Logotipo Soturna Sintonia Preto.png